domingo, 1 de agosto de 2010

Eu sempre soube que não teríamos mais volta, eu só não queria realmente ter que acreditar nessa realidade tão dura. O nosso "pra sempre" era de um tamanho tão imenso que não caberia nos dedos das mãos e nos dedos dos pés. Ele era assim, incontável. Tentávamos uma vez ou outra tentar explicar o porquê desse amor e você acha que conseguimos alguma vez? Nos falávamos assim: Você me ama? E ela respondia: Amo muito. E eu retrucava: Eu amo mais. E ficávamos assim, durante horas e horas. Lembro-me do dia que nos vimos, ah, que alegria aquele dia. Você com um casaco do meu desenho favorito, o Pinóquio, com aquela calça branca de pontinhos azul marinho, all star branco, cabelos na altura da nuca com pontas descoloridas, rímel. Falando em rímel, fiquei encantado com os olhos que estavam por baixo. O olhar era inocente como um lírio e apaixonante como uma rosa, me lembro bem dele. Estávamos bastante nervosos, colocávas o dedo na boca, mexias no cabelo sempre, era um gesto que eu gostava mesmo de ver, me sentia importante naquele momento, sabia? Minhas faces rubras e febris logo me entregavam, ai, que ódio. Por um momento, tivemos uma ideia genial, conseguimos nos unir (coisa que eu pensei que não iria acontecer) e lá estávamos nós, entre 3 paredes e 1 cortina, muitos gestos, cheiros se misturando, lábios se tocando. Não posso nem lembrar daquele momento, me arrepia. Agora estamos aqui, tentando resolver o porquê de não estarmos mais assim, não existe realmente um porquê, apenas nos acomodamos assim. Voltamos para realidade minha amada, a realidade é bem dura conosco, mas vamos ficar bem.

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