domingo, 25 de abril de 2010

Um amor.

(...)

Romeu
- Oh, falou! Fala de novo, anjo brilhante,porque és tão glorioso para esta noite, sobre a minha fronte,como o emissário alado das alturas ser poderia para os olhos brancos e revirados dos mortais atônitos,que,para vê-lo,se reviram, quando montado passa nas ociosas nuvens e veleja no seio do ar sereno.


Julieta
- Romeu,Romeu!Ah!por que és tu Romeu? Renega o pai, despoja-te do nome; ou então,se não quiseres,jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser logo.


Romeu
(à parte) - Continuo ouvindo-a mais um pouco,ou lhe respondo?


Julieta
- Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchiotu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão,nem pé,nem braço ou rosto,nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu,se não tivesse o nome de Romeu,conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu,risca teu nome,e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo,fica comigo inteira.


Romeu
- Sim,aceito tua palavra. Dá-me o nome apenas de amor,que ficarei rebatizado. De agora em diante não serei Romeu.


Julieta
- Quem és tu que,encoberto pela noite, entras em meu segredo?


Romeu
- Por um nome não sei como dizer-te quem eu seja. Meu nome, cara santa, me é odioso,por ser teu inimigo;se o tivesse diante de mim,escrito,o rasgaria.


Julieta
- Minhas orelhas ainda não beberam cem palavras sequer de tua boca,mas reconheço o tom. Não és Romeu, um dos Montecchios?


Romeu
- Não, bela menina; nem um nem outro,se isso te desgosta.


Julieta
- Dize-me como entraste e porque vieste. Muito alto é o muro do jardim, difícil de escalar, sendo o ponto a própria morte — se quem és atendermos — caso fosses encontrado por um dos meus parentes.


Romeu
- Do amor as lestes asas me fizeram transvoar o muro, pois barreira alguma conseguirá deter do amor o curso, tentando o amor tudo o que o amor realiza. Teus parentes, assim, não poderiam desviar-me do propósito.

(...)

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